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Undeground ao ar
livre
O maior evento de underground da Capital Federal mostrou nessa
11ª edição que a tendência é que o Porão do Rock se consolide
como um grande evento comercial. O Porão perde a cada ano as
características de festival alternativo e se aproxima do estilo
de eventos como o BMF.
Uma das últimas raízes do Porão é o palco Pílulas, que lá nos
fundos do evento concede a oportunidade para bandas ainda sem
renome se apresentarem para um público maior do que os pequenos
shows do underground.
Por um lado, pela primeira vez tivemos ônibus grátis saindo da
rodoviária para o evento durante toda a noite. O transporte
garantiu conforto para chegar ao evento e acabou com a penosa
caminhada para a rodoviária no final da noite.
Apesar de que as empresas de ônibus do DF não se interessaram em
reforçar a mirrada frota da madrugada. Teve ônibus que circulou
pelo eixinho com roqueiro pendurado na porta.
Pouco interessado em fazer um balanço dos shows, este repórter
circulou pelas entranhas do Porão para pegar o espírito da
coisa.
As Tribos

Os cartazes e folders do Porão costumam atrair
não só os roqueiros, mas também integrantes das tribos mais exóticas
desse mundo.
Este ano os muito-diferentes estavam em um número menor do que em
edições anteriores, no entanto, algumas figuras ainda se destacavam
na multidão.
O produtor digital, Rafa Mendes garante que não costuma se
aproveitar de sua aparência exótica para atrair mulheres. “Elas
ficam comigo pelo o que eu sou por dentro, não pelo meu visual”,
afirmou Rafa.
Ele não demonstrou nenhuma dificuldade para falar, apesar do imenso
alargador que utiliza no lábio inferior. O adorno e as tatuagens
pelo rosto são influências de culturas tribais tanto da África como
do Alto Xingu, na Amazônia. “Eu uso como ritual de passagem do
suyavi, em homenagem a eles. Quando eles atingem 21 anos começam a
dilatar”, explicou.
Rafa foi entrevistado pelo Yeah! no estande que mostrava um ensaio
fotográfico com pessoas tatuadas e de suspensão por ganchos sob a
pele.
O Mágico
Basta acompanhar com os olhos o movimento incessante dos
brigadistas de amarelo brilhante para perceber que a bebida em
excesso ainda está presente no rock da capital.
Mas o álcool não foi a única droga do submundo do Porão.
A reportagem do Yeah! acompanhou uma abordagem dos agentes
federais da Vara da Infância a um rapaz que fumava maconha.
No entanto, com a aproximação dos policiais, o maconheiro, em um
truque de mãos, fez o baseado se tornar um cigarro de palha
diante das lanternas dos agentes. Depois, até abriu a mochila
para mostrar um caixa do produto, de onde teria vindo o cigarro
já meio queimado.
Frustrados, os policiais desejaram boa festa ao rapaz e
desistiram da busca.
O baseado reapareceu e foi aceso novamente assim que o perigo da
lei se afastou.
Discreto, o mágico permitiu que apenas seus olhos fossem
fotografados.
Depois da grade

Por mais que se esforçassem, a grade e a parede de seguranças
impedia o público da pista de ver os artistas dos palcos
principais de perto. O tamanho da área do camarote chamou a
atenção não só daqueles espremidos na grade, mas também de
alguns artistas.
A vocalista do 'Madame Satã' demonstrou durante o show a
insatisfação de ter o grande massa tão apartado.
E quando o 'Sucidal Tendecies' permitiu que o público subisse ao
palco, a grande maioria continuou assistindo de outro lado da
grade.
Moda
Os chifrinhos vermelhos que piscam agora são moda entre as
metaleiras. Parece que essa é a versão “from hell” das orelhas
de coelho das convenções de anime.
Recordação

Ás vezes era incrível o número de pessoas gravando e
fotografando os shows com máquinas e celulares. A memória
cerebral ficou pequena para as emoções do mundo pós-moderno.

Fotos e
textos:
Daniel Mello
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